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Atualizado em 12/06/2020
Para poder estudar menina monta barraca em propriedade rural para ter acesso à internet de vizinhos

Em todos os cantos do país, estudantes e professores estão dedicados e empenhados para tentar dar conta das aulas que estão sendo realizadas a distância, pela internet. Mesmo com várias dificuldades, jovens estão enfrentando as barreiras pela educação.
A menina Isabel Cravicz, de 10 anos e que está no 5º ano do Ensino Fundamental, vai todos os dias até o sítio do vizinho de casa para poder ter acesso a internet e conseguir estudar.

 


 

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Isabel mora na área rural de Roncador, na região central do estado. É apaixonada pela educação e nunca mediu esforços para chegar a escola, na cidade.
“Às vezes o ônibus quebrava e eu chegava atrasada na escola. Por ser meu último ano queria aproveitar bem, mas não estou podendo por conta dessa pandemia”, contou a estudante.


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Aulas presenciais suspensas
 
A escola que ela tanto gosta está fechada.Quando vieram as aulas à distância, ela não conseguia assistir porque o sinal de internet ainda não chega à casa da família.
 

“Meu pai foi atrás de internet, porque moro no sítio, e não tinha lugar que tivesse aparelho para colocar internet na minha casa. Fiquei triste porque não ia conseguir”, relatou Isabel.
 
Mesmo com a dificuldade ela não desanimou e encontrou um jeito. Conseguiu emprestado o sinal de internet de um vizinho, mas o caminho até a propriedade rural é longo.
Para chegar até lá todos os dias, ela sai de casa cedinho junto com a mãe. Juntas vão atravessando propriedades rurais até chegar ao lugar onde a menina consegue se aproximar da escola.

“Tenho que passar por duas porteiras e ir pelo pasto, até chegar na minha cabana”, detalhou.

Com a imaginação, ela fez do lugar uma sala de aula improvisada, e pelo celular vê o conteúdo, as aulas e tem o contato com os professores.
A cabana foi a opção da família da Isabel para proteger a menina do sol, e também para proteção do casal que cedeu o sinal de Wi-fi para a menina. Eles são idosos, e portanto, do grupo de risco para a Covid-19.


O distanciamento, nesse caso, é necessário e faz parte das recomendações das autoridades de saúde. Mesmo assim, isso não impediu que eles ajudassem a estudante na sua tarefa diária.
 

“Agora pelo menos eu tenho ajuda, a professora tá ali, eu posso mandar mensagem e ela me ajuda. Estou levando. É uma experiência que estou fazendo na minha vida, minha mãe tá me ajudando”, contou.
 

Dedicação
 
“A minha rotina não é fácil porque eu acordo, ajudo minha mãe no serviço de casa, tem dia que faço a tarefa, aí vou almoçar. Depois tem que vir aqui para estudar. A minha mãe presta atenção na aula e quando eu tenho dúvida ela me ajuda. Estou conseguindo fazer, do meu jeito, mas estou fazendo”, afirma Isabel.
 

“No começo a gente achou que não ia conseguir porque não tinha internet. Não é fácil, não está fácil para ninguém, mas juntos a gente vai vencer, só ter vontade”, enfatizou a mãe de Isabel, Neusa Chalaga Cravicz.
 
“Todos os dias ela vem aqui e continua os estudos dela. Os pais que incentivem seus filhos a fazer isso também”, ressaltou Luís Cravicz, pai da menina.
Incentivo que vai fazer diferença na educação da Isabel, mas também no modo que ela está aprendendo a ver a vida.

“Quero deixar um recado para todos os meus amigos e para todas as crianças do Brasil. Mesmo com dificuldade, todos nós vamos conseguir juntos e vamos vencer essa batalha. Espero voltar para escola e encontrar os meus amigos”, concluiu a estudante Isabel Cravicz.
 

 

Créditos: G1 PR- (Foto: Reprodução/RPC)

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