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21/02/2021
Com recorde de internamentos e hospitais beirando colapso, Paraná estuda aplicar medidas mais restritivas, diz secretaria

O Governo do Paraná está estudando aplicar medidas mais restritivas para evitar o avanço da Covid-19, em um momento em que o estado registra recorde de internamentos e tem hospitais beirando o colapso.

"Nós não temos capacidade infinita, e se essa transmissão não for devidamente manejada, nós teremos de fato um colapso com falta de leitos, efetivamente", disse o diretor de Gestão em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Vinícius Filipak.

 

 

Ao todo, 3.037 pessoas estão internadas com suspeita ou diagnóstico da doença na rede pública e privada de saúde do Paraná, nesta sexta-feira (19), segundo a Sesa. Este é o maior número de hospitalizações por causa da Covid-19, desde o início na pandemia.

A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Sistema Único de Saúde (SUS), reservados para adultos em tratamento da doença bateu 89%, na sexta. Isso significa que das 1.226 vagas, 1.089 estavam ocupadas.

Diante deste cenário, o diretor de Gestão em Saúde afirmou que o governo está debatendo medidas restritivas. O diretor admitiu que o estado não descarta lockdown, apesar de afirmar que não é uma situação prestes a acontecer.

"Nenhuma possibilidade é descartada. Nós não podemos descartar a necessidade de lockdown. Estamos ainda com alguma capacidade de resposta, mas é uma condição que tem que ser pensada. Não podemos abrir mão de nenhum tipo de atividade que possa proteger melhor a saúde da população", disse.

Filipak argumentou que governo está revendo as medidas em pontos considerados críticos para a transmissão do novo coronavírus.

Entre as medidas que podem ser adotadas nos próximos dias está a ampliação do toque de recolher, que chegou a ser reduzido em uma hora na última semana, e a restrição de cirurgias eletivas, que são procedimentos não emergenciais.

Em relação ao retorno das aulas, no Paraná, o diretor disse que a secretaria busca entender se a retomada pode ser um fator que influenciará no aumento da transmissão.

O diretor reforçou que as medidas ainda estão sendo analisadas de acordo com o impacto e efetividade para combater o avanço da pandemia.

"Nós temos que reduzir o contato entre as pessoas. Essa avaliação a gente tem feito de maneira multiprofissional", afirmou Filipak.

 

Ampliação de leitos

 De acordo com o boletim de sexta-feira da Sesa, a situação da taxa de ocupação dos leitos do SUS reservados para tratamento da Covid-19 se encontrava da seguinte maneira, no estado:

 

  • 89% dos 1.226 leitos de UTI adulta;
  • 61% dos 1.779 leitos de enfermaria adulta;
  • 45% dos 22 leitos de UTI pediátrica;
  • 35% dos 34 leitos de enfermaria pediátrica.

 

Na macrorregião Noroeste, que abrange as regiões de Maringá, Umuarama e Campo Mourão, a situação da ocupação dos leitos de UTI para adultos era ainda mais crítica: 94% de lotação.

Essas vagas são ocupadas por pacientes com diagnóstico ou suspeita da doença. O diretor de Gestão em Saúde da Sesa disse que o estado vai ampliar o número de leitos, mas que a capacidade é finita.

"Estamos trabalhando para tentar ampliar a capacidade da rede. Temos a sinalização de abertura de 52 leitos de enfermaria e alguns leitos de UTI, que vamos conseguir organizar a partir da semana que vem", afirmou.

Filipak disse que o estado deve abrir 26 leitos de UTI, nas próximas duas semanas, em hospitais das regiões sudoeste e noroeste.

Segundo o diretor, esse é o esforço final do estado em termos de quantidade de equipes disponíveis para fazer o atendimento.

 

"Nós pensamos em chegar até 1.300 leitos [de UTI] nos próximos dias e seria essa a nossa capacidade final provável. A partir daí, a gente teria que reverter leitos de outras situações de assistência do SUS. Agravaria a condição de atendimento de outras patologias, o que vai piorar a condição de saúde de toda a população, independentemente da Covid."

 

 

Coronavírus no Paraná

 

O Paraná tem, atualmente, 603.796 casos confirmados e 10.975 mortes provocadas pela Covid-19, de acordo com a Sesa.

Ao todo, 447.561 pacientes estão recuperados e 145.260 casos estão ativos. Além disso, o estado investiga mais de 14 mil casos suspeitos da doença.

Até sexta-feira, 277.707 paranaenses tinham sido vacinados contra a doença, sendo que 53.553 receberam duas doses do imunizantes.

Créditos: Por Wesley Bischoff, G1 PR — Maringá (Foto: Ari Dias/AEN)

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